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Entenda por quê, duas vezes por ano, Francisco se ausenta da Kaiut Yoga School para beber numa fonte além das fronteiras

Há 16 anos a vida de Francisco era muito diferente. Ele dividia seu tempo entre o consultório de quiropraxia e duas pequenas turmas de alunos de yoga. Mas um convite de amigos americanos iria mudar para sempre seu destino. Foi assim que no início do ano 2000 ele foi parar em uma escola de Nova Jersey. Lá ele pode mostrar o Método que vinha desenvolvendo aqui no Brasil, tendo como instrumentos sua experiência de terapeuta, yogue e seus estudos sobre o naturalismo.
Francisco ficou vários meses em Nova Jersey mostrando seu trabalho. E foi então que ele tomou consciência do novo rumo que sua vida deveria tomar. Notou que o que ensinava já tinha elementos para ser visto como Método. Decidiu voltar para o Brasil e ampliar seu trabalho aqui. Usando a escola de Nova Jersey como modelo, Francisco deixou o consultório de terapeuta para se dedicar de corpo e alma ao Yoga, abrindo em Curitiba sua primeira escola.
A sede de conhecimento e a necessidade de se atualizar fizeram com que, em 2006, Francisco fosse ao Colorado para fazer um curso na escola Yoga Tree. A necessidade maior era se conectar com profissionais de diversas partes do mundo, para conhecer as tendências e inovações das práticas e métodos. Ele teve a chance de dar algumas aulas e mostrar seu trabalho na escola. A partir daí, foi convidado para ministrar cursos uma vez por ano no Colorado. E assim foi durante três anos. Mas em 2010 a carga horária de Francisco ficou mais exigente. Ele passou a viajar duas vezes por ano aos Estados Unidos, para ministrar dois cursos, um no verão e outro no inverno.
Essas viagens são inspiradoras para Francisco. A começar por Hotchkiss, a cidade onde fica. Um vilarejo rural, cravado entre montanhas, que acolhem uma comunidade de 800 habitantes. Com essas características já se pode imaginar o clima de retiro que o evento propõe. Mas ainda tem mais. A escola em que dá aulas se recolhe para o evento. E a vida de Francisco, então, se resume a uma rotina de prática. São três aulas por dia, cada uma com uma hora e meia de duração, durante trinta dias, para turmas que chegam a exceder 70 alunos. Quem conhece o Método Kaiut já sabe do seu grande diferencial: uma aula personalizada para cada aluno da sala. Imagine, portanto que, em um dia, Francisco ministra cerca de 210 aulas, considerando seu número de alunos. Agora imagine também, que esses alunos, são de certa forma, especiais. São pessoas que tem o yoga em suas vidas há décadas. “É um grupo maduro, com uma prática aprofundada. As aulas são muito intensas”. Ele ilustra bem este aspecto contando de um almoço que teve com um grupo de alunos, no qual todos tinham mais de 70 anos. E praticavam yoga desde os vinte. Além disso, todos já tiveram experiências com gurus indianos. Eles vão à India, várias vezes durante a vida, para buscar o conhecimento em sua fonte de origem. “São pessoas que valorizam a qualidade de vida em um grau que ainda não se conhece aqui no Brasil.”, relata. Ele conta também que os alunos que o procuram vêm de diversos países, como Canadá, França, Inglaterra. São professores de yoga, mas também profissionais de diversas áreas. Cita como exemplo uma médica, para a qual dá aula, que morou na Índia com uma guru. Ela tem 30 anos de prática de meditação. A experiência dela, de certa forma, acarretou grande valor à experiência do próprio Francisco. Cientistas, engenheiros espaciais, aposentados, donas de casa. Ele conta que já deu aula até para dois prêmios Nobel. Afinal, yoga é ou não é para todos?
E o que essa experiência nos EUA resulta para Francisco? E para você? Bem, se é praticante do método Kaiut saiba que as viagens ao exterior são preciosos laboratórios para Francisco, que está sempre em formação enquanto yogue. Muitas vezes, o que ele aplica em você, aqui em Curitiba, ou em qualquer cidade do Brasil onde leva suas aulas, foi desenvolvido a partir do que ele encontrou em Boulder e Denver. Com o que mostra e aprende nos Estados Unidos, ele vai redefinindo seu Método. Isso acontece graças à experiência dos alunos que encontra lá. Como são pessoas que se dedicam há mais tempo, é possível, com a perspicácia de um olhar treinado, saber o que funciona em longo prazo e aprender com o erro de outras técnicas ao observar as consequências de práticas permanentes. E ainda se encantar com o idioma, um desafio, segundo ele, estabelecer um nível elevado de comunicação em outra língua. Conhecimento, aprendizado e satisfação. Valores que dão forma e volume ao Método Kaiut. E que se simplifica na declaração de Francisco: “O que aprendo dando aula para eles é o que faz minha escola ser o que é.”

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