Entrevista de Francisco Kaiut concedida à Isabela França

[:pb]A tranquilidade que transmite em seu olhar, voz, gestos e movimentos já seria suficiente para prender a atenção de grupos de 60, 70 pessoas. O curitibano Francisco Kaiut, 45 anos, pai de três filhos e avô de uma menina de 10 anos (acreditem, é isso mesmo!), não mantém apenas a concentração de vários, numerosos e ecléticos grupos de pessoas. Ele desenvolveu um método próprio e ensina sobre foco, determinação, vontade de evoluir e muito mais para nada menos do que 850 alunos. Por semana, passam pela matriz do Kaiut Yoga, na Praça Espanha, em Curitiba, 2.500 pessoas.

Seu nome está em dez escolas franqueadas no Paraná, no Equador e nos Estados Unidos. E, nos próximos dois anos, deverá estar em outras três em Curitiba, uma em Florianópolis e outra em São Paulo.

Filho de militar e professora, Francisco foi aluno convencional do Colégio Militar de Curitiba e ingressou na Academia Militar do Guatupê, em detrimento das faculdades de Medicina e Direito, nas quais havia sido aprovado. É desta época sua lembrança mais remota do interesse pelo trabalho com o corpo. Lembra-se vagamente de ter visto uma performance de balé, na TV, em que os bailarinos emanavam uma energia intensa. No mesmo período encontrou uma coleção de revistas sobre yoga e começou a pesquisar o assunto.  Obviamente, a nova paixão não combinou com a academia militar.

Mergulhado no universo então alternativo da yoga, fez uma biblioteca enorme em português, espanhol e inglês e estudou o que pôde sobre o tema na era pré-internet. Por aqui, as informações eram escassas, inconsistentes e pairavam no território do misticismo.

Aluno aplicado, Francisco foi para os Estados Unidos estudar terapias naturais. Quando voltou, em pouco tempo, já tinha uma clientela fiel em Curitiba. Sempre estudando, embarcou para a Inglaterra e, no bairro indiano de Londres, a yoga o arrebatou definitivamente. Lá, conheceu inúmeras práticas e ao retornar, no começo dos anos 90, formou as primeiras turmas com seus pacientes de quiropraxia. “Meu olhar para a yoga sempre foi a cura. Eu queria na sala o mesmo resultado que eu tinha na mesa”, conta. Visionário, revela que ao entrar na sala de aula imaginou cada tapete de yoga como uma mesa de quiropraxia e, em vez de manipular cada paciente, decidiu fazer deles alunos e ensiná-los a buscar a cura pelo próprio movimento.

Os planos de aula e todo o resto veio depois. Francisco trouxe para ensinar-lhe alguns dos mais renomados mestres de yoga do mundo e, assim, experimentando desenvolveu seu método. Convidado para dar aulas em New Jersey, numa das mais importantes escolas dos Estados Unidos,  percebeu que precisava fazer sua própria  escola. No ano 2000, com 80 alunos, abriu a escola em Curitiba. Hoje, sua técnica é replicada com perfeição por um time afinado de professores. A cada seis meses, ele treina professores de todos os cantos do planeta, em Boulder, no Colorado, que levam sua técnica para o mundo inteiro. E, em julho deste ano, repete este modelo no Canadá e no ano que vem na Austrália. Com sua simplicidade e generosidade, resume esta linda história de sucesso num exercício de amor ao próximo.

Você teve uma questão pessoal para esta busca incessante pela yoga terapêutica?

Sim, eu tive um acidente doméstico, quando tinha cinco anos. Levei um tiro no quadril. Então sempre tive um olhar da yoga como cura.

Quais são os planos para um futuro próximo e distante do Kaiut Yoga?

Temos um projeto de franquias em plena expansão. Curitiba já tem uma unidade em Santa Felicidade e outra no Boqueirão. Em breve teremos mais uma no Pilarzinho e, no ano que vem, uma no Cabral e outra no Portão. Estamos em negociação com Florianópolis.

E fora do Brasil?

Já temos uma parceria muito forte nos Estados Unidos, no Colorado, para onde vou duas vezes por ano para duas semanas de workshop e duas semanas de formação de professores. faremos isso este ano, em julho, no Canadá, onde pretendemos abrir uma escola também. E, no ano que vem começamos um trabalho parecido na Austrália.[:]

Subscribe Our Newsletter