Francisco Fala 03 – Yoga e Liberdade, por Naudé Prates

[:pb]Na escola Kaiut Yoga nós acreditamos no potencial do nosso time e dividimos nossas tarefas e responsabilidades para sempre estarmos em sintonia uns com os outros. Para dar continuidade a este trabalho, nesta edição abriremos espaço para outro professor compartilhar seus conhecimentos conosco. O professor Naudé Prates abordará o Yoga como fonte de liberdade.

YOGA e LIBERDADE

 -Liberdade – essa palavra,

 que o sonho humano alimenta:

que não há ninguém que explique,

e ninguém que não entenda…

[Cecília Meireles]

Yoga como fonte de liberdade para o CORPO

Qual o uso que fazemos de nosso corpo? Quantas horas do dia, da semana, do ano, enfim, de nossa vida… passamos sentados?

Seja no trabalho, em casa, no carro, no constante uso do computador ou smartphone, temos hoje uma vida marcada pelo excessivo uso da cadeira. Os prejuízos são maiores do que imaginamos: ao longo dos anos instaura-se um progressivo comprometimento da mobilidade articular e, por consequência, do fluxo sanguíneo, gerando um impacto sistêmico prejudicial não só à estrutura corporal mas à função.

O sedentarismo, os constantes tensionamentos (somados a padrões de estresse e ansiedade) e até mesmo as eventuais atividades físicas realizadas de maneira incauta e pouco consciente, conduzem a uma razoável gama de desordens físicas. Assim, ao longo dos anos nosso corpo vai se tornando cada vez mais enrijecido, limitando nossa mobilidade e afetando nossa qualidade de vida. Acabamos, portanto, enclausurados em uma espécie de prisão: limitados em um corpo rígido, pouco funcional, dolorido e desvitalizado.

Em suma, todo o nosso organismo é profundamente impactado pelo uso que fazemos do corpo.

Nesse ínterim, destaca-se a singular eficiência do Yoga: no âmbito corporal, as posições/ásanas e a combinação de sequências do método Kaiut (com seu altíssimo nível de segurança e de maneira integrativa) buscam restaurar e preservar o potencial biomecânico de cada parte do corpo. Em cada aluno busca-se o perfeito equilíbrio entre força e flexibilidade. O impacto da prática regular do Yoga sobre cada articulação e estrutura corpórea é consistentemente benéfico e terapêutico, levando a restabelecer o uso pleno da mesma, repercutindo positivamente em todos os sistemas e órgãos.

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Como isso ocorre? Parte da resposta está no fato de que as posições do Yoga, ao desbloquearem as juntas e estruturas corporais, possibilitam que o fluxo do sangue possa chegar perfeitamente a cada uma das nossas células, em todas as regiões do organismo. Vale lembrar que é pela corrente sanguínea que os nutrientes chegam a todas as células do corpo. Sendo assim, não é sensato cultivarmos tão somente cuidados alimentares de modo isolado se há bloqueios que impedem a circulação. Somos produto de nossa alimentação, mas também e, sobretudo, somos produto do uso que fazemos de nosso corpo.

Portanto, no que concerne à estrutura corporal, a prática do Yoga possui um propósito deveras libertador na medida que propicia o restabelecimento do potencial genético de cada aluno, com respeito às suas particularidades, desbloqueando as estruturas corporais. Esta desobstrução acaba por liberar, de maneira equilibrada, todas as áreas de nossas juntas para uma adequada e eficiente circulação sanguínea; por conseguinte, recupera-se a plenitude do potencial corpóreo. Busca-se assim, com todo o alto nível de eficiência e sofisticação técnica do método Kaiut Yoga, preservar a funcionalidade estrutural de nosso corpo, gerando maior vitalidade em todo o organismo.

Yoga como fonte de liberdade para a MENTE

Conceitos como liberdade ou livre – arbítrio sempre fundamentaram a maior parte dos sistemas filosóficos, das instituições e até mesmo de religiões no mundo. Portanto, partimos do pressuposto que somos produto de nossas escolhas. Mas, como escolhemos? Como decidimos? Os critérios e motivos para nossas escolhas diárias são meramente racionais ou seriam talvez – muito mais do que o senso comum intui – de fundo emocional? Qual o real nível de influência em nossa vida por parte de nossos estados emocionais, sistema nervoso, inconsciente, crenças internas que, de uma maneira ou outra, fundam nosso jeito de enxergar o mundo?

Atualmente, em diversas áreas do conhecimento humano, da psicologia à neurociência, sustenta-se a ideia de que o nosso processo decisório (nossa maneira de decidir e nossa visão de mundo) é reflexo também de diversos outros aspectos além daqueles meramente racionais, incluindo aqui toda variedade de eventuais desajustamentos ou desequilíbrios internos. E tal influência é muito maior do que costumamos imaginar.

Paralelo a isso, é de conhecimento de todos o incômodo diário dos “ruídos mentais” sobre nossa mente e, por decorrência, sobre nosso corpo e comportamento. Seja por meio de preocupações, pensamentos recorrentes, antecipações desnecessárias, medo, arrependimentos, culpas, e etc., tendemos a viver com nossas mentes entorpecidamente presas ao passado ou ao futuro. É cada vez mais difícil estar presente.

Nossas flutuações mentais impactam negativamente não só nossa saúde, mas toda nossa vida pois influenciam nossas decisões e escolhas. Nesse ínterim, sensata a constatação do escritor David Foster Wallace: “Estou certo de que vocês já perceberam o quanto é difícil permanecer alerta e atento [presente], em vez de hipnotizado pelo constante monólogo que travamos em nossas cabeças.”

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Desde a sua origem e, em última análise, o que busca o Yoga é a cessação das flutuações da mente, conduzindo o praticante ao desenvolvimento e manutenção de um precioso estado de neutralidade o qual impactará profunda e positivamente todas as áreas da mente e do corpo.

O Yoga, dessa forma, além de propiciar as inúmeras benesses em relação ao corpo físico, é uma prática que utiliza o corpo como um sagrado instrumento para se chegar à mente. E, sobretudo, é uma poderosíssima fonte de liberdade para a mente.

Como isso ocorre? Buscamos com a prática do Yoga alterar gradativamente os padrões de sistema nervoso (retornando às referências naturais de equilíbrio) e, a partir disso, impactar positivamente em nosso estado mental. Produz-se assim a adequada integração entre corpo e mente, gerando melhor qualidade de vida. Em cada aula estimula-se aperfeiçoar o entendimento de nosso corpo, ampliando a percepção e o conhecimento pessoal de como a mente impacta o corpo. O Yoga utiliza o corpo como uma poderosa ferramenta para conhecer e educar a mente; assim sendo, é algo muito além de uma mera atividade física.

Em cada aula, ocorre a condução, guiada pelo professor, de um autêntico processo meditativo por meio de exercícios de presença – dentre outros recursos, via estímulos de ampliação de foco e percepção corpórea. De tal maneira, estimula-se o aluno ao desenvolvimento de uma habilidade de profunda percepção pessoal e auto análise, possibilitando a progressiva desvinculação dos padrões e condicionamentos prejudiciais. Habilita-se o praticante a reeducar a mente para que passe a operar numa “frequência” mais equilibrada e positiva – mesmo em situações de seu dia a dia de grande exigência física ou mental.

A prática regular do Yoga, ao mesmo tempo em que produz um corpo mais flexível e forte, nos conduz a sermos mais conscientes e sensíveis, mais resistentes e tolerantes, mais estáveis e equilibrados.

Por derradeiro, compartilho definição de Francisco Kaiut que resume e unifica bem tudo o procurei apresentar acima: “Yoga é uma prática que educa e habilita o corpo; capacita, elabora e enriquece a mente; a fim de que corpo e mente estejam alinhados com a perfeição de nosso próprio espírito”.

Naudé Prates
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