FRANCISCO FALA – MOBILIDADE, DOR E SAÚDE

Tenho, desde que voltei a interagir mais constantemente com meus alunos em Curitiba, ouvido muitas perguntas sobre dor, desconfortos físicos e também sobre como aliviar estes incômodos.
Bem, a dor é, sem a menor sombra de dúvida, uma informação muito importante, uma mensagem que nosso corpo nos envia para dizer que algo não está indo muito bem em algum lugar do sistema corporal. O ponto delicado é que, muitas vezes, antes mesmo de começarmos a perceber a dor, o problema ou a desordem já vinham se instalando de forma silenciosa ao longo de semanas, meses ou até anos.

“Quando sentimos a dor, nosso corpo na verdade nos informa que estivemos muito desligados, inconscientes e que, ao invés de darmos atenção aos primeiros sinais, precisamos que ele, o corpo, gritasse por ajuda.
O grito se deu na forma de dor.”

Que sinais seriam estes que poderíamos ter percebido antes? Quais foram os e-mails que nosso corpo nos enviou e que não vimos porque foram para a caixa de spam de forma automática?

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É isto mesmo, passamos nas últimas décadas a interagir com nossos sinais sutis, as mensagens diárias que nosso corpo e nossa saúde nos enviam, de forma automática. E percebemos apenas a dor, o grito final. A fome do bebê começou há 30 minutos, mas a mãe, distraída com seus afazeres, só se dá conta quando ouve o choro. Aí já perdera a hora!!!!!

Além desta desconexão, ainda temos mais um obstáculo: a nossa sociedade se acostumou a ver a dor como o problema, quando deveria interpretá-la como um alarme. Temos dor e, ao invés de investigar, queremos apenas ficar sem a dor. Mandamos logo para dentro do sistema uma droga ou um procedimento que poderia ser chamado de “cala a boca corpo”. Veja só, se um tendão qualquer está se rompendo gradualmente, aos poucos, sem que tenha havido um acidente, um trauma, o problema pode não ser o tendão em si, mas alguma coisa relacionada com a mobilidade geral daquela área do corpo. Ela pode estar sobrecarregando aquele tendão específico. Se os pneus do seu carro estão se desgastando de forma desproporcional, você não vai ficar simplesmente trocando os pneus ou fazendo seu rodízio, você vai fazer uma geometria, um balanceamento, e depois ainda vai procurar por outros possíveis problemas. No corpo, você pode fazer um programa de exercícios para arrumar aquele problema, aquela dor pontual, o tendão machucado, ou somente usar a medicação correta que foi prescrita para aquele caso. Mas e a causa primeira? A razão porque aquele tendão está sendo sobrecarregado? E o seu corpo, sua vida e sua saúde?

“Quando e como você vai interagir de forma
positiva com o processo, se tornando um
especialista em você mesmo? ”

Ou ao menos usar os recursos terapêuticos disponíveis e os profissionais de saúde a seu serviço? Sem perder a noção de que, no frigir dos ovos, o corpo é apenas seu e será seu até o final desta jornada.
Nós, do mundo do yoga, vemos todas as possíveis causas para uma dor e, não entendemos nunca que a dor é o problema, mas sim que ela é o grito de desespero daquele sistema.
Isto dito vem a próxima pergunta: Mas então o que devo fazer na minha prática ou nas minhas aulas de yoga? Você deve perceber como está a mobilidade geral de todo o seu sistema corporal. Como são e como estão seus ombros? Como são e como estão seus pés ou seu quadril? Percebida a sua mobilidade geral, apenas preocupe-se em desenvolver toda a mobilidade em todo o corpo praticamente ao mesmo tempo.

“Tenha isto como meta pessoal. Nossas aulas são desenhadas exatamente para isto. Para que você aprenda a se perceber de forma muito mais refinada do que uma pessoa que não pratica yoga.”

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E para que você gradualmente entenda o quanto aquela falta enorme de movimento no seu quadril, está dia e noite sobrecarregando suas costas, suas pernas e, desta forma, impacta sua mobilidade corporal, gera terreno fértil para dores e problemas, reduz seus níveis de disposição e energia. Talvez até impacte a sua saúde em níveis orgânicos, pois a sua genética foi desenhada para que você tenha mobilidade. Porém, se por acidente ou sobrecarga de uso profissional ou esportivo você interferiu neste sistema, este movimento perdido está fazendo falta em todos os cantos do seu corpo, mesmo de forma orgânica e sutil. Utilize suas aulas para entender onde você precisa de mais movimentos, para se harmonizar de maneira estrutural.

“Preservar a mobilidade ou reconstruí-la quando envelhecemos é exatamente o que de melhor o yoga pode fazer por nós. Um corpo que envelhece sem perder mobilidade. Imagine o impacto disso sobre sua saúde e sobre sua disposição.”

Chegar aos oitenta anos ou mesmo passar deles contando com a plasticidade, a mobilidade e a desenvoltura dos seus vinte ou dos seus trinta anos. Esta é a grande contribuição do yoga antigo para a nossa vida moderna. Isto vai mudar suas dores? Talvez. Vai mudar sua disposição? Sim, com certeza vai. Mas vai, acima de tudo, te permitir envelhecer exatamente como a natureza desenhou você para envelhecer. A força muscular pode diminuir, a pele pode mudar, mas você vai se sentir internamente como você é de fato, e o seu corpo será muito mais capaz do que você jamais sonhou. Dores? Talvez. Liberdade? Com certeza, muita liberdade. Tendo ou não tendo dor, indo nas suas fisioterapias, caminhando na esteira, indo ao parque, fazendo musculação, fazendo tudo o que você gosta por você.
“Nosso trabalho é manter seu corpo livre, e desta forma, impactar naturalmente sua saúde, talvez suas dores, mas com certeza ensinar você a relaxar e a usar sua mente para concentrar-se em tudo o que você quiser, pelo tempo que quiser.”

Imagine um corpo para envelhecer com você, que pode até ter desconfortos pontuais, mas que se move como aquele que você tinha quando jovem. É isto que o yoga quer dar para você através da prática. Idealize seu corpo e venha construí-lo conosco.
Lembre-se que quando você vê um idoso caminhando lépido no parque você pensa: eu quero envelhecer assim. Você não sabe se ele ou ela tem dor ou não, mas aquela mobilidade e aquela leveza expressam saúde e liberdade.

“É isto que todos queremos. Isto é, na prática, Yoga.
Um corpo funcional que suporta nossa mente e a carrega livremente para onde quisermos,
até os nossos últimos dias.”

Francisco Kaiut

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