O yoga em minha vida – Entrevista com o aluno Ricardo Trento, fundador e Diretor Executivo da Trupe da Saúde

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Ricardo Trento é fundador e Diretor Executivo da Trupe da Saúde, projeto que conta com um grupo de palhaços profissionais que visita semanalmente cinco hospitais de Curitiba. O objetivo é provocar mudanças no ambiente hospitalar por meio da interação com pacientes, acompanhantes e equipe hospitalar. “O projeto da Trupe é trabalhar com outro ser humano dentro da sua história, do seu entendimento, do seu nível de consciência”, explica. Consciência que Ricardo também vem exercendo com o yoga há cerca de um ano.

Ricardo nasceu em Medianeira, no oeste do Paraná, se formou em administração e se especializou em finanças. Apesar da formação mais técnica, sempre teve uma relação com a arte. Veio pra Curitiba após concluir sua graduação, quando o pai teve que fazer exames e passou um período vivenciando a rotina no hospital. Seu pai, sempre muito bem humorado no ambiente hospitalar, fez seu primeiro questionamento surgir: a problemática de entender como seu pai tinha aquela relação com o humor nesse cenário desfavorável. “Meu pai precisou ficar doente para despertar algo em mim”, lembra.

Tempos depois, comentando com um amigo sobre esse episódio, veio a ideia de levar arte para dentro do hospital. Ficaram um ano pensando em como fazer o projeto. “Dentro das minhas experiências eu tive contato com a Lei Rouanet e com o Ministério da Cultura. Estruturamos, materializamos e apresentamos o projeto para a Petrobrás, que gostou, apoiou e foi como conseguimos tirar o sonho do papel”. Assim surgiu a Trupe da Saúde, em 2000.

“Fomos aprendendo tudo na prática quando o projeto começou. A gente tinha uma relação mais teatral com o figurino que dentro do hospital não cabia, pois é um ambiente que requer muito mais cuidado”. No hospital não é possível usar peruca, nem luva, por exemplo. Ricardo e a Trupe foram aprendendo como moldar esses personagens e suas relações dentro do hospital com o passar do tempo.

O projeto segue uma rotina. As visitas acontecem de segunda a quinta-feira nos mesmos hospitais e nos mesmos horários. Então a equipe acaba visitando um mesmo paciente mais de uma vez. “Tem casos que a gente ficou 7 anos encontrando a mesma criança. Ela nasceu no hospital e toda a passagem do quarto de isolamento para um quarto leito, do hospital para casa foi a Trupe que fez. Ela foi com os atores no carro”, comenta Ricardo.

Todo o processo é uma grande partilha e quem estiver aberto vai aproveitar e absorver, explica. “A principal felicidade é tocar de alguma maneira aquela pessoa, aquela criança, e que ela se perceba a partir disso. O projeto não é a salvação, mas é uma possibilidade das pessoas se encontrarem pra elas mesmas”.

Além do projeto ajudar os outros a se encontrarem, também ajudou o próprio Ricardo a identificar sua missão de vida. “A arte me move, a arte me comove. Ela me traz reflexão sempre. O processo criativo me faz enxergar o mundo e a arte, pra mim, dentro do meu entendimento e da minha jornada me traz essa abertura de consciência. A Trupe da Saúde me trouxe cura. A minha cura, o meu encontro.”

Ricardo começou a abertura de consciência com a arte e continuou com o yoga, que hoje se complementam na sua vida. “Tem tudo a ver, porque o yoga trabalha a consciência do corpo. É uma relação onde a mente pode estar voltando para dentro do corpo e quanto mais tempo eu ficar dentro de mim eu posso dar respostas melhores. Quanto mais pessoas estiverem se buscando a partir de sua interioridade, mais eu posso estar me relacionando com o outro”, explica Ricardo.

Segundo ele, a prática da yoga não é só uma relação de movimento, é onde aquele movimento está no emocional e como essa emoção se reflete. “O Kaiut caiu como uma luva pra mim, funciona muito bem. Hoje me faz falta!”

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