Yoga e Saúde

[:pb]Desde muito tempo atrás o Yoga vem se desassociando da ideia de saúde e longevidade que foram suas caracteristicas iniciais por milênios e por alguma razão ao longo das últimas décadas ele desdobrou-se e afastou-se ainda mais desta ideia. Surgiram linhas e conceitos de vários tipos. Abriu-se o leque do Yoga no planeta. Surgiram abordagens específicas como Yoga para o stress, Yoga para a pressão alta, a ideia de que Yoga faz bem para a circulação, para a fibromialgia, etc. São muitas as citações sugerindo que ele possa ser um recurso para isto ou para aquilo, mas podemos dizer que ele é hoje raramente visto como um recurso holístico que suporta a vida e mantém a saúde levando a longevidade.

Apesar de tudo o que se viu nas últimas décadas e das muitas citações contidas nos livros de Yoga referindo-se a ele como recurso terapêutico ele ao mesmo tempo se moveu mais e mais na direção da posição e refiro-me aqui as posições clássicas, ( asanas ) de yoga. A posição de Yoga, o formato. Yoga passou a ser lido a partir das posições. Belas posições definem que um indivíduo faz Yoga ou não, faz bem ou não e a posição em si, seu formato determina que o resultado vira.

Na minha clínica eu vi que não necessariamente o formato da posição e a necessidade do paciente eram compatíveis. Muitas vezes o formato ideal segundo a revista ou o livro é absolutamente incompatível com a história ou a genética do aluno. Sim, ele tem a posição perfeita, o formato supostamente ideal e isto está errado porque a posição dele e só dele, é única.
Desta primeira observação notei que surgiam algumas descobertas naturais.

  1. É, de forma geral, agressivo trabalhar em pé. Quando em pé o aluno/paciente está, via de regra, instável. Estando instável ele consciente ou inconsciente fica inseguro e eu, o terapeuta, sou incapaz de controlar a intensidade ou mesmo a direção da pressão que a posição cria dentro de seu corpo e de suas articulações.
  2. Por causa da instabilidade e da insegurança, em especial com o aluno mais velho, não sou capaz de direcionar ou controlar onde a pressão estará dentro da posição ou do corpo em pé.
  3. Concluí que era necessário deitá-los, ou pelo menos aplicar o mesmo princípio da minha mesa de massagem. Se não para todos pelo menos para os mais velhos e para os mais rígidos, os homens. Na mesa enquanto terapeuta com meu paciente deitado e relaxado, estando seguro pelo suporte que a mesa oferece eu posso controlar o processo e aplicar as manobras efetivas.
  4. Vi então pela primeira vez minha sala de aula não como um espaço com dez tapetes de Yoga, mas sim como um espaço com dez mesas de massagem em que eu aplicava a lógica da passividade num ambiente de movimento para eliminar o esforço, a insegurança, o desequilíbrio e aprofundar o resultado terapêutico.

Gravidade

Retirar da equação a ação da gravidade tanto quanto possível para que o corpo do aluno fique estável e a sua mente segura. O chão é o suporte principal para a movimentação, tanto na estrutura física quanto para o sistema nervoso.
Trabalho quase sempre no chão para que parte da mente do aluno sinta se como se estivesse na cama ou na mesa de massagem. Para que parte do sistema esteja sempre em relaxamento.

Efortlesness

Uma das principais características dos trabalhos ou terapias manuais é o fato de o terapeuta fazer pelo paciente ou cliente. Este último está passivo, recebe o trabalho. O paciente, passivo, fica neste momento mais capaz de absorver o resultado das ações do terapeuta, neste caso o professor.
Com o paciente “passivo” o resultado é alcançado.
Neste caso específico o aluno precisa experienciar a passividade.
O aluno pode experienciar picos de desconforto, de dor, como em algumas técnicas de massagem mas ao mesmo tempo ele sente o suporte, a leveza, a segurança e também a pressão.
Passividade, trabalho sem esforço. Existe um profissional conduzindo, cuidando. O aluno não está sozinho cuidando de si.
O professor conduz, cuida e o aluno recebe. Não há esforço mental ou físico convencional.
Yoga precisa ser uma prática gentil, passiva e do professor para o aluno. Trazendo um resultado físico, mental e emocional.

Lesão e dor crônica.

É claro que precisamos respeitar diretrizes legais e a própria limitação da comunicação virtual, mas em se respeitando estas normas, prescrições médicas e o próprio bom senso, acredito que:
Não importa que tipo de dor ou lesão crônica um indivíduo experiencia. Este tipo de aula vai chegar no seu corpo e na sua mente exatamente da mesma forma que um trabalho manual chegaria.
Esta prática serve para todos e também para quem não gosta de yoga exatamente por isso.
Se com o passar dos anos o corpo alcançar mais liberdade, mais equilíbrio, mais conforto, mais saúde, então naturalmente, posições de yoga como nós as conhecemos vão acontecer em decorrência desta liberdade.

Francisco Kaiut

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